Paulino
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Entrevista com Paulino, que defendeu a baliza do nosso clube durante duas épocas, de 1979 a 1981, seguindo depois para emblemas do escalão mais alto do futebol português.


1- Como é que ingressou no SC Covilhã?

Tinha assinado pela Associação Académica de Coimbra nessa época de 79/80 vindo do C.D. Feirense. O problema começou quando a A.A.C. não cumpriu com o pagamento estabelecido em contrato e eu rescindi o mesmo com justa causa, a um mês do início da época. Estava em negociações com alguns clubes da 1ª e 2ª divisão, quando saiu a notícia nos jornais que tinha terminado com a A.A.C.
Na altura o treinador José Domingos (falecido), pressionou-me no sentido de ir para o Sp. da Covilhã, uma vez que estavam também lá antigos colegas do Beira Mar (Vitor Urbano, Quim, Ferreira). Como éramos muito chegados, fiz a opção de assinar pelo Sp. Covilhã, mesmo perdendo a hipótese de na altura ir para o F.C. Penafiel, que estava na 1ª divisão, e alguns escudos. Mas como ele (José Domingos) era uma pessoa especial para mim, depois de algumas negociações duras, assinei uma época

2 - Quais os principais momentos que viveu no nosso clube?

A cidade vivia momentos sociais difíceis, algumas fábricas tinham fechado, os seus habitantes tinham dificuldades de toda a ordem, ainda estavam no Sanatório na Serra centenas de retornados que viviam no limiar da pobreza, tudo isto não passava despercebido ao comum dos mortais, mas conseguimos com dificuldade inerente ao interior desprotegido, fazer boas classificações e desenvolver trabalho positivo, visto termos um bom grupo de trabalho, para 4 ou 5 anos mais tarde, o clube encontrar as melhores soluções e subir à 1ª divisão.
Passei dois maravilhosos anos nessa cidade, aproveitando a minha juventude na época, socializando-me com todas as camadas, deixando bons amigos e não é por acaso que voltando à minha terra hà 5 anos (Angola), visito a Covilhã duas vezes por ano e ainda tenho o prazer de ser reconhecido pela cidade, mesmo esta tendo crescido 5 ou 6 vezes em relação à cidade que vivi. Estes são os grandes momentos vividos no Sp. da Covilhã. Para além, obviamente, de ter realizado duas excelentes épocas, ser acompanhado por treinadores dos grandes e assinado com o Vitória de Guimarães que tinha como treinador um dos melhores daquele tempo: José Maria Pedroto.

3 – Representou o Sporting da Covilhã no início da sua carreira, terá sido o nosso clube uma rampa de lançamento, visto que representou depois Guimarães, Chaves, Estoril Praia, Boavista, Rio Ave e Beira-Mar na 1ª divisão?

Antes de vir para o Sp. Covilhã, tinha representado o Beira Mar na 1ª divisão, fui emprestado ao S.C.Régua na 2ª, onde desenvolvi um trabalho excepcional e tinha os clubes grandes em cima.
Infelizmente tive uma lesão grave no ombro direito (crómio clavicular) e parei 1 ano, entre a operação a recuperação. Joguei em 78/79 no C.D.Feirense com total presença na 1ª equipa até à 20ª jornada, altura em que fui operado ao joelho esquerdo.
Posso concordar com essa afirmação, pois após estar 2 anos neste clube, passei aos grandes, estando muitos anos na 1ª liga portuguesa.

4 – Paulino fazia-se acompanhar nos jogos do nosso clube por um boneco, que era um Sapo (Cocas), qual o significado desse talismã? 

Na época, «Os Marretas» estavam no auge e como se devem lembrar, a televisão portuguesa ainda eram 2 canais, toda a gente via esse programa. Como o boneco era verde, achei giro fazer dele a mascote para os nossos jogos. O Carlos Xistra, naquele tempo um menino que entrava comigo em campo vestido como eu, hoje o árbitro internacional que todos conhecem, levava o boneco e pendurava na baliza. Foi assim que se eternizou o Cocas como mascote e também como companheiro de muitos meninos na cidade (hoje homens), que começaram a ter um.


5 - Acompanha actualmente o SC Covilhã?

Claro que sim. Hoje o fenómeno internet, não nos deixa indiferentes e utilizamos esta via para nos informarmos diariamente do que nos interessa. O Sp. Covilhã, a cidade da Covilhã e os seus habitantes, são visitados por mim todos os dias pelo site e blogues.
A campanha da equipa principal tem tido alguma irregularidade, mas estou convencido que com maior ou menor dificuldade, o clube vai ficar na Liga Vitalis. Não é fácil ter três mudanças de treinador e estar estável. Com serenidade, pode conseguir os objectivos a que os seus dirigentes se propuseram.

6 - Qual a sua actividade no presente?

Desde que voltei para Luanda, a minha cidade, que estou ligado à área Comercial e Empresarial, mas estando sempre atento ao fenómeno desportivo e particularmente ao futebol.
Sou Responsável Comercial numa grande empresa francesa (Safric, Lda) que é representante para toda a Angola de marcas internacionais como Michelin (pneus), Otis (elevadores), Pramac (geradores) e Westpoint (ar condicionados). Tenho também alguns interesses pessoais empresariais antigos.
No futebol, estou ligado ao meu clube de sempre (F.C.Luanda) como vice-presidente para o futebol (clube também representado pelo nosso Presidente de República, Engº José Eduardo dos Santos) e que foi um dos grandes clubes antes da independência, hoje com dificuldades de instalações desportivas, quer na área social, quer para a prática, coordenando também as equipas masculinas de infantis, iniciados, juvenis e juniores que lutam no Provincial de Luanda (não temos seniores ainda), treinando e formando treinadores para o clube.
Neste momento, como estou deslocado na cidade do Lobito em termos comerciais da empresa Safric, aceitei o desafio de um clube da região (União da Catumbela que tem 105 anos de existência) para treinar, fazer formação das camadas jovens e formar treinadores. O clube estava numa letargia hà muitos anos (nasceram aqui para o futebol português nomes como José Águas, Santana, Yaúca, etc) e que foi um dos beneficiados pelo CAN Orange 2010, sendo criadas as infra-estruturas necessárias á prática desportiva, com um estádio novo e relvado natural. As dificuldades são imensas, mas com aplicação e interesse em aprenderem, o União vai subir degraus muito rapidamente.

7 - Que gostaria de referir que não foi mencionado anteriormente?

Que desportivamente o Sp. da Covilhã encontre sempre as melhores soluções para resolver os seus problemas.
Que os covilhanenses tenham sempre presente a beleza natural da sua região.
Que eu possa visitar todos os anos os meus amigos na Covilhã e ser sempre recebido como tenho sido.
Que se um dia se lembrarem, podem contar comigo para ajudar o Sp. da Covilhã.
Desde Angola, com carinho por este clube, cidade e gentes.


Abraço Amigo,
Paulino.

 

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Livro História do Sporting Clube da Covilhã 1923-1990 disponível para aquisição na Foto Académica, localizada nas Escadas do Quebra Costas n.º 2 - Covilhã

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