Rui Pataca
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Em entrevista o goleador Rui Pataca recorda a sua passagem pelo Sporting Clube da Covilhã, numa carreira de futebolista que o levou a outros clubes históricos do futebol nacional, como por exemplo o Belenenses, assim como a emblemas das ligas francesas (Montpellier e Créteil), onde continuou a acertar frequentemente nas redes adversárias.


1- Como é que ingressou no SC Covilhã?

Após fazer uma época com a Ovarense na 2ª Honra, que hoje se chama liga Orangina ,onde terminei a época com 9 golos, muito bom para uma primeira experiência a um nível de competição que descobria, tive um convite para ingressar no Vitória de Setúbal que estava na 1ª Divisão. Na altura tinha como director desportivo Jorge Pereira, que se ocupava do recrutamento em parceria com Quinito, e o treinado principal era Mário Reis. Fiz assim toda a pré- época com a equipa de Setúbal, mas surgiu a possibilidade de ingressar no SC Covilhã, que sempre manteve boas relações com o Vitória de Setúbal, na altura Vieira Nunes era o treinador principal da Covilhã.

2 - Quais os principais momentos que passou no SC Covilhã? 

Na altura decidi ingressar no Sporting da Covilhã para me afirmar na 2ª Divisão de Honra. Foi uma escolha puramente desportiva, visto que não conhecia a cidade nem a comunidade, mas pouco tempo depois fiz muitos amigos Beirões e aprendi com eles os hábitos, costumes e tradições dessa gente muito caricata, desde os banhos nos riachos que passam no vale do Paul até à subida à Serra da Estrela e todos os recantos a descobrir à volta... Descobrindo a excelente culinária que se pratica na região (arroz de carquejais, a chanfana num restaurante típico ao cimo da serra, entre doce de mugango, feijocas ou as belas cerejas que se vendiam quando passava a serra do Fundão, antes de se construir o túnel). Aprendi e fiz muitos amigos numa terra de boa gente, desportivamente, considero positivo, porque durante os dois anos que estive ao serviço do clube, consagrei-me dois anos consecutivos melhor marcador da equipa, tendo recebido o prémio das mãos do presidente Brito Rocha, foi algo que me marcou. E considero negativo o facto de não conseguirmos a subida de divisão na última jornada em Elvas, muita desilusão, após um ano de trabalho sempre na frente e na última jornada ver a equipa da Naval subir no nosso lugar, foi difícil para mim.

3 - Acompanha actualmente o SC Covilhã?

Claro, sempre acompanhei as equipas onde passei, e sobretudo o SCC, que tem sido ano após ano uma referência na Liga Vitalis, e tendo um último soldado que ainda sobrevive desde o meu tempo no activo, que é o guarda-redes Luís Miguel e o seu treinador Luciano, mas fiquei muito satisfeito com a chegada do João Pinto ao SCC, penso que através de sua experiência e conhecimento vai ser positivo para o clube.

4 – Quando chegou a França rapidamente se tornou numa referência do Montpellier e depois do Créteil, ao que se deve esse sucesso?

Penso que fiz a boa escolha no bom momento, não só quando deixei o Vitória de Setúbal, que estava na 1ª Divisão, para ingressar no SCC que estava numa divisão inferior, mas também quando optei por uma aventura no estrangeiro, quando numa altura em que estava a marcar golos pelo Belenenses na 1ª Divisão as propostas eram variadas e numerosas. Ou seja para melhor vos explicar a maneira de sucesso, passa em progredir e afirmar em cada clube onde passei. Penso que assinar por assinar num grande clube ou ter sede de chegar rápido ao mais alto patamar, não é o mais importante, a verdade é no terreno, jogar e ser regular, existe uma diferença entre a frase “ eu joguei num tal clube “ ou “ eu estive num tal clube” e “eu passei por tal clube” . Penso que nesse aspecto, não tenho qualquer arrependimento ou sentimento de ficar em falta para qualquer dos clubes onde passei, para quem me conhece bem, em todos os clubes onde passei, a minha imagem está intacta e serei sempre bem recebido se voltar.


5 – Apesar de ter marcado muitos golos tanto em Portugal como em França, quais as diferenças entre os dois Países?

Claro que não podemos falar em grandes diferenças, visto que futebol é uma língua internacional, mas existem muitas pequenas diferenças, a que nós chamamos detalhes, que no final fazem muita diferença, mesmo não tendo a qualidade técnica que temos em Portugal, acabam por ganhar noutros capítulos, como físico e táctico. Para falar a verdade, tudo o que tinha feito em Portugal antes de ingressar no Montpellier foi uma brincadeira de miúdos e quem passou pelo estrangeiro pode confirmar o que estou a dizer. Em termos de organização do campeonato, todas as equipas podem rivalizar pelo título, existem muito mais pretendentes e as surpresas podes surgir todos os jogos, independentemente do nível do adversário. Os campeonatos das diferentes divisões são extremamente físicos e tácticos, mas é certo que retira alguma beleza ao jogo, que por vezes torna-se completamente desinteressante pela rigidez táctica das duas equipas que se afrontam no terreno .

6 - Qual a sua actividade no presente?


Neste momento e após ter terminado a minha carreira de jogador no US Creteil na época 2008/2009, assumi a função de treinador adjunto, após ter passado vários diplomas de treinador durante um período de quatro anos. Entre o tempo que tinha livre ainda enquanto jogador, preparei bem uma reconversão de trabalho, aliando ao prazer e a paixão que tenho pelo futebol, dando assim seguimento à minha carreira e ficando ao mesmo tempo no mesmo ramo, é como uma transmissão do saber, do conhecimento adquirido ao longo dos anos. Ao mesmo tempo trabalho como consultor, onde devo relatar em língua francesa para um canal televisão desportivo em Paris (Ma Chaine Sport), que transmite para a França os jogos da Liga Sagres, e outro canal do estado francês (CFI internacional) desta vez em língua portuguesa, que vende para a África, todos os jogos da Liga dos campeões com a tradução portuguesa para os países lusófonos, e com outros consultores e jornalistas franceses e ingleses para os respectivos países francófonos e anglosaxónicos que existem em África. Trata-se de uma experiência super interessante, que apesar de ser um trabalho, permite-me estar em contacto directo com os jornalistas que escrevem sobre um jogador ao longo de toda a carreira, ou seja, uma outra prespectiva do futebol...

7 - Que gostaria de referir que não foi mencionado anteriormente?


Queria deixar um abraço ao mítico “Ti Fernando”, espero que ainda seja ele o roupeiro do SCC, uma pessoa que aprecio bastante e com quem passei excelentes momentos no clube, assim como para outro emblema do clube, o Joanito, que alinhava nas brincadeiras comigo... Muitas vitórias e sucessos para a equipa. Atalaia do Campo.

 

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Livro História do Sporting Clube da Covilhã 1923-1990 disponível para aquisição na Foto Académica, localizada nas Escadas do Quebra Costas n.º 2 - Covilhã

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